O papel dos articuladores no projeto Esse Rio é Meu: entrevista com Ana Cristina Braga Cardoso

Professora atuou como articuladora do projeto Esse Rio é Meu, em 2022.

Por Marcus Tavares

A professora Ana Cristina Braga Cardoso está completando 34 anos de magistério, com experiências na rede particular e pública. Na Prefeitura do Rio de Janeiro, está há 13 anos, sendo nove deles como regente de turma numa escola bilíngue, no Complexo do Alemão. Também já esteve à frente de duas coordenações pedagógicas da rede.

Até dezembro do ano passado, ela integrava a Equipe da Gerência de Educação da 3ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, onde teve um papel importante na articulação do projeto Esse Rio é Meu junto às escolas da rede que participavam do programa.

O projeto Esse Rio é Meu é desenvolvido em conjunto pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, em parceria com a oscip planetapontocom e a concessionária Águas do Rio – patrocinadora do programa. O objetivo do programa é engajar escolas na recuperação e preservação dos rios. Cada grupo de escolas da rede pública de ensino do Rio ficou responsável por desenvolver ações em torno de um dos rios da cidade.

Entusiasmada com o projeto desde o início, Ana Cristina se destacou. Fez um trabalho minucioso de aproximação com as escolas. “A princípio foi visto como mais um projeto, mas através do desenvolvimento do trabalho, as escolas foram tomando consciência da importância do mesmo e abraçaram o programa”, recorda.

Ela acompanhou de perto o envolvimento das escolas, seus professores, estudantes e comunidade. “Fiquei muito feliz quando uma professora, em um dos encontros de formação, sinalizou-me que não tinha ideia da dimensão do programa”, comemora.

Em entrevista à revistapontocom, Ana Cristina, que acaba de integrar o time do Gabinete da 3ª CRE, conta como foi o processo ao longo do ano, suas impressões e expectativas com relação ao programa Esse Rio é Meu em 2023. Acompanhe:

Rejane Alvarenga, Assistente da Gerência de Educação, professora Ana Cristina Braga e Adriana Carvalho, Gerente da Gerência de Educação da 3ª CRE.

revistapontocom – De que forma o projeto Esse Rio é Meu chegou à 3ª CRE? Como ele foi recebido?
Ana Cristina Braga Cardoso
– Ele chegou em 2019, onde suas orientações, objetivos e escolas elencadas foram passados numa reunião de Gerentes de Educação, pela Subsecretaria de Educação. Mas somente em 2022 ele tomou corpo com a ampliação para mais Unidades Escolares. A princípio foi visto como mais um projeto, mas através do desenvolvimento do trabalho, as escolas foram tomando consciência da importância do mesmo e abraçaram o projeto.

revistapontocom – Como foram as primeiras tratativas junto às escolas?
Ana Cristina Braga Cardoso
– O primeiro contato com as unidades foi por ligação telefônica. Foi um momento de me apresentar como articuladora do projeto e de explicar, brevemente, o que era e a proposta de trabalho a ser desenvolvida ao longo do ano letivo.

revistapontocom – Que estratégias foram desenvolvidas para aproximar o projeto das escolas?
Ana Cristina Braga Cardoso
– Inicialmente, foi criado um grupo no WhatsApp. Posteriormente, foram agendadas visitas do articulador às unidades, divididas de acordo com a proximidade entre elas e os territórios. Nessas visitas, era sinalizada a importância de se articular o projeto Esse Rio é Meu com o Projeto Político Pedagógico de 2022.

revistapontocom – Provavelmente o tema água já tinha sido trabalhado pelas escolas. Havia um diferencial na proposta?
Ana Cristina Braga Cardoso
– Sim, o tema água já tinha sido trabalhado por algumas unidades. Mas o projeto trouxe reflexões importantes sobre o rio próximo às escolas. De alguma forma, fez os alunos pensarem sobre as condições daquele rio, os impactos que provocam na comunidade, conhecer a história do mesmo.

revistapontocom – Ao longo do ano, o que foi possível perceber?
Ana Cristina Braga Cardoso
– Ouvi muitos relatos de coordenadores e professores sobre o desenvolvimento de uma noção de pertencimento nos alunos. Eles compreenderam que o rio faz parte da história da vida deles, da família de cada um.

revistapontocom – Que resultados eram esperados no início do ano e o que realmente se concretizou junto às escolas?
Ana Cristina Braga Cardoso –
Cada unidade caminhou de acordo com as suas especificidades e demandas. Numa visão geral, as escolas conseguiram desenvolver as quatro etapas previstas pelo projeto (diagnóstico, planejamento, ações e culminância).

revistapontocom – Em que áreas/conhecimentos o projeto se desdobrou?
Ana Cristina Braga Cardoso –
O projeto teve desdobramentos em diversas disciplinas e campos de experiências: Geografia, História, Matemática, Língua Inglesa, Alfabetização, Educação Musical (paródia, coral, samba), Artes Plásticas e Cênicas, Língua Portuguesa, Mídia educação, Desenvolvimento da oralidade e construção de vocabulário.

revistapontocom – Houve algum aprendizado interno na relação CRE e escolas?
Ana Cristina Braga Cardoso
– Houve uma construção empática muito produtiva entre a Coordenadoria e as unidades escolares.

revistapontocom – Houve algum aprendizado interno na relação Prefeitura, CRE, escolas e parceiros?
Ana Cristina Braga Cardoso
– Acredito que a relação de empatia e parceria consolidada entre as unidades escolares e os parceiros deste projeto foram cruciais para o sucesso dessa empreitada.

revistapontocom – O que esperar do projeto em 2023?
Ana Cristina Braga Cardoso
– Na avaliação feita no dia onze de novembro, do ano passado, foram elencadas várias sugestões para o próximo ano. Para além dessas, estamos ansiosas para ver que tipo de percurso pedagógico será ofertado para as unidades escolares que já realizaram as quatro etapas deste ano (diagnóstico, planejamento, ações e culminância). clique aqui e confira a formação dos professores. Temos uma grande expectativa de saber que outras escolas serão acrescidas ao projeto.

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