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Esse Rio é Meu avança no bairro de Santa Cruz e vira tema de tese de doutorado de professor da rede municipal da Prefeitura do Rio

Confira a experiência da Escola Municipal Eulália Rodrigues de Oliveira Viera.

Por Marcus Tavares

Localizada em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, a Escola Municipal Eulália Rodrigues de Oliveira Viera, por meio das turmas do 8º ano do Ensino Fundamental, vem participando ativamente do programa Esse Rio é Meu. É durante os encontros da disciplina Projetos Integradores que estudantes e professores vêm se conscientizando a respeito da recuperação e preservação do Canal do Itá e da Vala do Sangue.

O programa Esse Rio é Meu é desenvolvido em conjunto pela Secretaria Municipal de Educação e pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura do Rio, em parceria com a oscip planetapontocom e a concessionária Águas do Rio – patrocinadora do programa. O objetivo do programa é engajar escolas na recuperação e preservação dos rios. Cada grupo de escolas da rede pública de ensino do Rio ficou responsável por desenvolver ações em torno de um dos corpos hídricos da cidade.

Que o diga o professor José Renato Soares Pimenta. Professor de Geografia, é ele quem está à frente da disciplina. “O projeto impactou o planejamento das aulas, que já havia sido feito previamente. Porém, o planejamento era baseado em saídas a campo pelo Bairro Imperial de Santa Cruz, com foco em Educação Patrimonial, considerando o conjunto riquíssimo de patrimônios materiais e imateriais do bairro. Foi preciso então adaptar o planejamento, dando mais ênfase aos canais hídricos da hidrografia local, que datam do período colonial jesuítico”, explica.

Adaptação super bem-vinda na escola, na disciplina e no projeto de doutorado que o professor vem desenvolvendo junto ao Programa de Pós-graduação em Geografia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que, em linhas gerais, defende a possibilidade do tombamento do sistema de canais de Santa Cruz como paisagem patrimônio. “Correlacionar o programa Esse Rio é Meu com o meu trabalho acadêmico foi uma escolha que acabou acontecendo de forma natural. Claro que essa escolha foi possibilitada pelo eixo de história e pertencimento previsto pelo projeto. Mas o foco no pertencimento do bairro foi uma escolha com o objetivo de gerar condições para aprendizagem significativa por parte dos alunos a partir da ressignificação afetiva do espaço vivido por eles”, explica. O título provisório da tese é: “Possibilidades sobre a Patrimonialização da Paisagem do Sistema de Canais de Santa Cruz, Rio de Janeiro/RJ”, com previsão de término para o final de 2025.

Na avaliação do professor, o Esse Rio é Meu representa a oportunidade de trabalhar a ressignificação do lugar com os alunos por um novo viés, bastante rico, e, ao mesmo tempo, uma possibilidade de enriquecimento da pesquisa acadêmica. “Por meio do programa Esse Rio é Meu, quero ouvir os moradores que vivem nas proximidades da Margem do Canal do Itá e da Vala do Sangue sobre a percepção deles sobre os canais. A ideia é aplicar um questionário, de modo a possibilitar a tabulação das respostas. Esses resultados, com certeza, serão incorporados à tese”, explica.

De acordo com José, as turmas já pesquisaram e conheceram o Canal do Itá e da Vala do Sangue. Agora, estão na fase do planejamento das ações, como a formulação das questões do questionário da entrevista, os banners do projeto que serão colocados no portão da escola com informações sobre o Canal do Itá e da Vala do Sangue e a visita que farão a estação do tratamento do esgoto, próximo à escola.

“Com os resultados das entrevistas e o embasamento de toda a demanda da comunidade em relação aos canais, a culminância do projeto prevê a solicitação formal da dragagem dos canais, limpeza e retirada de lixo. A longo prazo, espera-se que a comunidade local, como um todo, esteja mais consciente da importância histórica dos canais com os quais convivem, bem como da responsabilidade de cada um com a salubridade deles.

A lição que os alunos têm tirado de todo o processo, segundo José Renato, é que eles podem, sim, interferir na realidade do entorno e, neste sentido, desenvolvendo a habilidade atitudinal de trabalhar em grupo. “A prática espacial de ressignificação do lugar é capaz de empoderar os alunos como cidadãos em busca de melhorias de qualidade de vida e do acesso justo aos serviços do espaço urbano”, finaliza.

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