O consumo sob o olhar das crianças e da escola

 

Projeto – Ter ou ser, eis a questão
Instituição – Colégio Santa Marcelina – Rio de Janeiro
Localização – Rio de Janeiro, Rio de Janeiro

Por Marcus Tavares

É fato: as crianças da atual geração estão cada vez mais precoces. Ouvem e falam de tudo. São sagazes, inteligentes e atentas ao mundo que descobrem a cada dia. Características que, se de um lado chamam a atenção, por outro inspiram desafios, principalmente por parte dos pais, responsáveis e, é claro, dos educadores. Sendo assim por que não falar com as crianças sobre temas contemporâneos, sobre questões que elas, mesmo pequenas, já vivenciam? Por que não falar, por exemplo, sobre o consumo?

Ter ou ser, eis a questão foi o nome do projeto que a equipe da Educação Infantil e do 1º ano do Ensino Fundamental, do Colégio Santa Marcelina, no Rio de Janeiro, elaborou para discutir com as crianças, e seus pais, o lugar e o papel do consumo na vida diária da sociedade, refletindo sobre a importância do ter e do ser.

“Vive-se hoje um tempo histórico em que há a necessidade de despertamos a consciência crítica da sociedade, especialmente no que diz respeito ao consumismo que impera nos dias atuais como um grande fator que prioriza o ter e contribui para a desvalorização do ser. Associada ao consumo, percebemos que a infância está afetada de forma generalizada, através da erotização precoce, da obesidade infantil, do brincar sempre associado à violência e ao prazer imediato. Soma-se a isso a cultura do descartável que de forma silenciosa faz com que o universo infantil esteja submerso em contra-valores. As crianças encontram-se numa fase de pleno desenvolvimento, portanto, são mais vulneráveis aos apelos da mídia que vigoram nesta lógica do consumismo excessivo”, destaca trecho do projeto do colégio.

De acordo com a diretora da Educação Infantil, Irmã Aparecida Matias de Oliveira, e da pedagoga e supervisora da Educação Infantil, Ivana Pontes, o projeto, iniciado neste ano, tem o objetivo de colaborar na promoção de uma economia fundamentada no ideal de cultura da paz, provocando questionamentos sobre o consumo praticado em excesso e as consequências das mensagens comerciais dirigidas às crianças, gerando ações que proporcionem uma nova visão da infância.

“Entre outros pontos, buscamos resgatar o sentido do brincar como fonte de prazer na infância; refletir sobre a importância de uma alimentação saudável em comparação com alimentação industrializada imposta pela mídia e sobre o consumo que faz com que o ter seja mais importante do que o ser”, explicam Irmã Aparecida e Ivana Pontes.

Para desenvolver o projeto na prática, a equipe produziu quatro DVDs com vídeos sobre consumo. O material foi distribuído, a cada bimestre, aos responsáveis das crianças. Em dois momentos, os pais dos alunos também tiveram a oportunidade de trocar ideias com profissionais da área de mídia, discutindo as estratégias de marketing das empresas. Houve ainda conversas com nutricionistas sobre o impacto dos fast-food. Com as crianças, os professores as envolveram em contação de histórias. Os alunos também participaram de oficinas de nutrição e de criação de brinquedos a partir da reciclagem de materiais. Elaboraram ainda propagandas contra o consumo.

O projeto foi dividido em quatro subtemas: o brincar; a alimentação saudável; a criança e a mídia; e a sustentabilidade Além dos alunos da Educação Infantil, os estudantes do 1º ano do Ensino Fundamental também participaram da proposta pedagógica.

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