Humanos e ciberespaço: para onde vamos?

Por Marcus Tavares

Por onde passa, o filósofo teórico Pierre Levy, formado pela Universidade de Sourbonne, chama a atenção de jovens e adultos, muitos deles professores e estudantes. Não foi diferente o que ocorreu na última quinta-feira, no Rio, no espaço Oi Futuro Flamengo. Diante de uma plateia que lotou um dos auditórios do espaço e ocupou cada metro quadrado do saguão e da entrada do local, Pierre Levy, acompanhado do ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, falou sobre o poder da palavra na cibercultura.

Sob os olhares e, principalmente, ouvidos atentos do público, que acompanhava a palestra via telão e fones que traduziam a palestra, Levy, mais uma vez, fez com que as pessoas parassem e refletissem sobre o mundo cibernético na qual estão mergulhadas. Para começo de conversa, o filósofo demarcou o que separa os humanos dos animais, ponto de partida para o entendimento de quem somos e para onde vamos.

“O que nos diferencia dos animais é a nossa capacidade simbólica de categorizar, traduzida na linguagem. O que proponho aqui é uma meditação filosófica sobre o que chamo de inteligência coletiva, pensamento humano sustentado por conexões sociais que é criado por meio da utilização das redes de computação, internet”.

No planeta humano, o professor afirma que há duas esferas: o mundo material e o imaterial, ou o chamado simbólico. Diz Levy: “a natureza deve ser entendida de maneira material e imaterial e devemos compreender a constante relação entre o espiritual e o material”.

Ao relacionar esta concepção com o ciberespaço, Pierre destaca que, tecnicamente, a web vem possibilitando à humanidade a capacidade de maximizar o mundo material, transformando as relações humanas no tempo e no espaço: “Podemos, hoje, registrar e armazenar mais dados e também podemos nos comunicar de forma mais rápida e eficiente de qualquer lugar com o aumento das bandas de transmissão”.

Mas o que dizer do mundo simbólico? Eis a questão do filósofo. Na prática, Pierre se pergunta de que forma as ferramentas do ciberespaço podem promover a criação dos significados e dos sentidos e, num segundo momento, maximizá-los. “Nós temos a computação lógica, mas não a computação semântica. E é isso que eu quero inventar”.

Para além da URL, Levy propõe, portanto, a criação do USL, que, em português, poderia ser chamado de ‘Localizador Semântico Universal’, um sistema de endereçamento para metadados criados pelo conceito, pelo afeto, pelos significados, pelos sentidos. “Digamos que no ciberespaço nós somos pequenas formigas nos comunicando e o resultado é uma espécie de inteligência coletiva que já existe. Agora, elas serão capazes de abrir asas, como uma borboleta, e enxergar todos os trabalhos das formigas.”

Na visão do filósofo este é o caminho que a humanidade está trilhando e, ele, no momento, refletindo. Diga-se de passagem, já há algum tempo.

Pílulas  de Levy para pensar

Cultura – “A cultura pode ser entendida como um processo de recepção de memória e de significado de uma geração para outra geração”.

Ciberespaço – “O ciberespaço torna-se, hoje, um novo meio de organizar a memória humana, que tem a ver com a nossa capacidade de pensar e, portanto, com a nossa chamada inteligência coletiva”.

Gerações – “A dificuldade que existe de uma geração para entender a outra vai aumentar. A evolução da mídia vai acelerar essa distância”.

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