Um dia de crocodilo

Um dia de crocodilo. Nova história do menino Artur Melo. Confira.

Por Artur Melo, 10 anos
A
luno do 5º ano do Ensino Fundamental, da Escola Sá Pereira

Um dia de crocodilo

Em um dia como outro qualquer, eu estava a caminho da escola quando fui surpreendido pela Bruxa Mapocã, que, em um segundo, me transformou em um crocodilo poroso, o maior crocodilo do mundo, fiquei, então, com sete metros! Tudo que um menino, fã de crocodilos, poderia sonhar. Mapocã tinha mesmo uma obsessão de transformar bicho em gente e gente em bicho.

Assim que ela jogou o feitiço, comecei a dormir, e isso demorou umas 9 horas. Quando acordei, comecei a me achar estranho e só depois de meia hora, percebi a transformação. Confesso que achei bem legal, apesar de adorar ser um menino, mas como sabia o que fazer para tirar o feitiço, achei melhor aproveitar um pouco a vida de crocodilo.

Foi então que percebi: precisava de água, por perto sabia da Casa de Espanha, fui para lá. No clube, é claro, veio um segurança tentar me impedir de entrar, mas o devorei rapidamente, toda essa transformação me deu mesmo uma fome danada. Todas as pessoas que estavam no clube viram a cena e ficaram apavoradas, não era para menos, mas não sei por que resolveram agir normalmente, me ignorando. Eu, que já não estava mais com tanta fome, não fiz nada com elas, e fui direto para a piscina.

Preciso dizer que com este feitiço tive duas sortes: primeiro em me transformar em um animal que eu adoro, segundo, por não ter perdido totalmente a minha consciência de menino, fiquei meio confuso das ideias, mas consegui voltar ao meu normal e ainda contar esta história.

Na piscina, encontrei um tubarão, sabia que ele era o espião da bruxa, que já andava meio biruta e, sem querer, o transformou em animal. É claro que eu queria deixar Mapocã “na mão”, vá que ela me transformasse numa tartaruga, “Deus me livre” de tão lerda… Além do mais, a barriga já estava roncando novamente, não pensei duas vezes: devorei o tubarão. Comi primeiro as barbatanas, depois a cauda, em segundos lá se foi o tubarão espião, eta bichinho sem sabor…

Aos poucos fui me cansando da vida de crocodilo, resolvi ir atrás da bruxa. Vocês devem estar achando estranho o que eu disse no começo desta história: “que sabia me livrar do feitiço.” Descobri num livro de bruxaria e vou contar, vá que encontrem com a Mapocã por aí e se transformem numa coisa indesejada. É o seguinte: misture no próprio caldeirão da bruxa um pouco do sangue dela com olho de sapo.

Lá fui eu, devagar, me arrastando para casa dela. Livre de seu espião, foi fácil dar uma bela mordida, uma mordida fatal, guardei um pouco do sangue na própria boca e só a abri quando me aproximei do caldeirão, deixando o sangue escorrer. Agora, faltava o olho de sapo, olhei ao redor, nos tantos vidros, e achei! Joguei logo no caldeirão, que começou a borbulhar, soltando aquela gosma para todo lado. Foi aí que uma nuvem de fumaça se formou e produziu um som aterrorizante. Esperei quieto, num canto, até que tudo se acalmasse. Depois, bebi rápido, de uma vez só, me transformando em mim mesmo novamente. Fui para casa, meio zonzo, mas com o estômago pesado de tubarão.

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