Projeto dribla a falta de acesso e garante informação

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Por Marcus Tavares

No dia a dia de um grande centro urbano, como Rio e São Paulo, nem nos damos conta de que o acesso ao computador e à internet faz parte apenas de uma pequena parcela mundial. Aqui mesmo no Brasil, de acordo com a Pesquisa Nacional de Domicílios/2008, somente 31,2% dos lares têm microcomputadores e 23,8% dispõem de internet. Banda larga? Somente 5,2%. Os números são de um país em desenvolvimento, a oitava economia do mundo. O que dirá outros países que ainda estão, em muitos aspectos, mais defasados do que o Brasil?

Como noticiou o jornal Le Monde, conectar-se à internet na África é como telefonar na França dos anos 1960. Conexões aleatórias, velocidade de transmissão terrível, panes inesperadas, às vezes com cortes de eletricidade que tornam inúteis as horas de paciência. “Uma carroça puxada por mula sobre uma autoestrada”, resume um internauta do Moçambique no site da BBC. No Quênia, uma propaganda de internet rápida mostra um executivo furioso batendo a cabeça em seu computador.

Para tentar reverter o quadro de algumas regiões, há dois anos, a ONG Open Mind e a Fundação Grameen, com apoio da Fundação Bill e Melinda Gates, vem implantando o projeto Question Box, um ponto de acesso à internet por voz, um serviço telefônico gratuito e sem fins lucrativos destinado a levar informação a moradores de áreas remotas, sem acesso a computadores.

A proposta é bem simples: por meio de uma central, o usuário entra em contato com um operador do outro lado da linha e pergunta o que quer saber. Esse operador, que está em frente a um computador conectado, faz uma pesquisa na web e responde.

A experiência já foi implantada em regiões da Índia e da África. Em Uganda, a população recorre,  por meio dos celulares, aos 40 agentes do Question Box. Esses agentes ligam para o call center e fazem as perguntas ou põem a ligação no viva-voz para que o próprio cidadão pergunte. Pelo trabalho, os agentes recebem créditos de celular.

Em Pune, na Índia, os usuários acessam o sistema por meio de uma caixa, de verdade, metálica com microfone acionado por um botão. Eles fazem a pergunta e o telefonista, em uma cidade distante, procura a resposta imediatamente na internet ou pede alguns minutos antes de ligar de volta.

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Em entrevista ao jornal New York Times, Rose Shuman, criadora do projeto, disse que o Question Box é, principalmente, uma ferramenta a serviço do desenvolvimento econômico das regiões, já que tira dúvidas e traz informações valiosas para o cotidiano dos agricultores rurais. No entanto, aos poucos, o serviço também vem sendo realizado para obter informações sobre outros temas, como saúde, negócios, educação e entretenimento.

”Mesmo nos próximos dez anos, não acho que você verá áreas como essas sendo conectadas. Por isso, o Question Box continuará sendo uma ferramenta importante para levar às pessoas a informação que elas precisam”, destaca Jon Gosier, executivo-chefe de tecnologia do Question Box.

Fonte – New York Times e Le Monde

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