Animação infantil estreia em janeiro

Direção de Paulo Munhoz discute sustentabilidade. Filme é voltado para a família, com foco nas crianças dos 7 aos 12 anos.

Por Marcus Tavares

Os habitantes da Vila dos Brichos precisam decidir o futuro da sua cidade, ameaçada de perder sua floresta para investidores-terroristas internacionais. Armados de coragem, inteligência e bom humor, os heróis encaram o desafio que será decidido nas areias de Noforest, na gelada Iceforest e na exuberante Brainforest. Esta é a sinopse da animação Brichos – a floresta é nossa, de Paulo Munhoz, que chega aos cinemas em janeiro de 2013.

Em entrevista à revistapontocom, por e-mail, Paulo contou que o filme é voltado para toda a família, mas que tem como público alvo crianças dos 7 aos 12 anos. Trata-se de uma animação que, além de divertir, que fazer com que crianças e adultos pensem sobre o mundo que queremos. Sustentabilidade é um dos temas principais do enredo.

Acompanhe:

revistapontocom – Brichos – A Floresta é Nossa é voltado para que faixa etária?
Paulo Munhoz – O filme foi pensado para agradar toda a família, assim o roteiro agrada desde crianças até os mais velhos. O target principal é o público dos 7 aos 12 anos. O filme foi um grande sucesso na sua première no Festival Anima Mundi. O público adorou a obra. Ele vai ser lançado nacionalmente no dia 1º de janeiro, nas principais cidades do país, nos melhores cinemas. Faremos ações de promoção, anúncios etc. Em dezembro, vamos lançar o game Brichos para smartphones, como produto independente do filme, mas fazendo referência ao  longa. Vamos também desenvolver um projeto com as escolas.

revistapontocom – Qual é a história do filme?
Paulo Munhoz – É uma aventura planetária que ocorre no verão brasileiro. Os principais locais da trama são a Vila dos Brichos, Iceforest (na América do Norte) e Noforest (Na África do Norte). Tales (jaguar) e Jairzinho (quati) estão acampando na floresta. Dumontzinho, o gênio da turma, está num intercâmbio em Iceforest, onde conhece a querida Li Pan Din. Bandeira (tamanduá) está em viagem com seu pai pelas areias de Noforest. Nesse meio tempo, Mr. Birdestroy age para comprar a floresta dos Brichos, usando de todos os métodos, com a cumplicidade de Ratão, o mal elemento da Vila. Serão travadas batalhas em vários campos, do intelecto às vias de fato, da magia à tecnologia. Sem didatismos, a grande questão colocada pelo filme é: que futuro nós queremos? Enfim, vai ser um programa divertido que deverá brotar uma bela questão na cabeça das pessoas.

revistapontocom – É um filme que tem um caráter educativo?
Paulo Munhoz – O filme segue o padrão de obras em que há uma preocupação reflexiva aliada a um caráter de entretenimento. Cito, como exemplo o filme Wall-E, em que há isso: diversão e preocupação com o meio ambiente. A diferença é que, em nosso caso, estamos criando peças de propaganda totalmente recicláveis e não faremos ações que gerem lixo. Brichos é nosso principal projeto e buscamos, através dele, dar uma real contribuição para um mundo melhor. Quem for ao cinema vai perceber isso.

revistapontocom – Produzir cinema no Brasil é um desafio. Produzir cinema infantil no Brasil é um desafio maior ainda. Como foi o processo de produção do filme?
Paulo Munhoz – Realmente é um desafio gigantesco. Os problemas são referentes à dificuldade de financiar uma obra como essa (captar recursos), depois produzir ao longo de anos (já que animação é muito intensiva em trabalho e tempo), e conseguir desenvolver uma história que dialogue com esse público. Fizemos várias sessões de conversa com crianças e pesquisamos o seu universo atual. O roteiro não subestima a inteligência e nem a visão das crianças de hoje. Cedo elas já dominam a linguagem audiovisual e tem acesso a muitas informações. Produzimos o filme em Curitiba, tanto a imagem quanto o áudio. Toda a animação foi feita na Tecnokena, produtora audiovisual, localizada em Curitiba. Gravamos os atores aqui no estúdio Astrolábio. Gravamos com o Marcelo Tas e o Antonio Abujamra e o Tas em São Paulo. A finalização ocorreu em São Paulo, na Cinecolor.

revistapontocom – Quais seriam, na sua avaliação, as possíveis saídas para incrementar o cinema infantil no Brasil?
Paulo Munhoz – Acho que essa questão tem duas vertentes. Primeiro, os cineastas precisam olhar para esse público. Há muita produção de filmes para adultos,  pois é mais fácil desenvolver histórias dentro do seu próprio universo. Há que se ter muita coragem e desprendimento para fazer filmes infantis.  A segunda questão é que é muito mais difícil captar recursos para um filme infantil. Assim, eu penso que os dois caminhos de solução seriam: a) Introduzir essa questão na formação dos cineastas, seja nos cursos de cinema, design e comunicação social, seja nos cursos de pós graduação, seja nos cursos livres que estão por aí. b) Criar mecanismos de apoio voltados ao cinema infantil.

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