Boca no trombone: uma boa para os docentes?

Projeto de Lei quer tornar obrigatória a instalação de aparelhos de som no Ensino Médio e Superior com 40 ou mais alunos.

 

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 1106/11 que torna obrigatória a instalação de dispositivos de sonorização em salas de aulas do Ensino Médio e Superior com 40 ou mais alunos. A regra deverá ser regulamentada pelo Poder Executivo, a quem caberá a fiscalização.

O autor do projeto, deputado Ricardo Quirino, explica que a proposta tem o objetivo de reduzir os danos causados pelo uso excessivo da voz pelo professor. Para fundamentar seu projeto, o deputado cita estudo realizado, em 2009, pelo Centro de Estudos da Voz (CEV) em parceria com o Sindicato dos Professores de São Paulo (Sinpro-SP) e a Universidade de Utah, nos Estados Unidos.

A notícia, publicada no dia 8 deste mês, no portal da Câmara dos Deputados não agradou alguns internautas. Confira alguns comentários postados no site da Agência Câmara:
 
Marilac de Souza
Isso é ser conivente com uma sala com 40 alunos ou mais o que é um absurdo tanto do ponto de vista da aprendizagem, quanto da insalubridade do trabalho docente. É preciso avançar mais! Isso ainda é por panos quentes.

Marcos Calebe
Usar um dispositivo desses em sala é uma forma de manter uma situação precária e aumenta o “abismo” professor-estudante, tornando mais difícil o trabalho em sala de aula. Em vez dessa ideia infeliz, deveriam estar trabalhando para se aumentar o número de turmas e professores, o que dispensaria o uso do microfone e aproximaria mais os professores e os estudantes. Para um professor, adotar um instrumento desses é dar um tiro no pé.

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Segundo a pesquisa, 35% dos professores entrevistados relataram a presença de cinco ou mais problemas vocais, e 63% disseram já ter tido algum problema durante a vida. Os dados indicam que 16,7% dos professores consideram que terão de mudar de profissão no futuro por conta dos problemas vocais.

O questionário com 35 perguntas foi aplicado para 3.265 pessoas, das quais 1.651 eram docentes. Entre os professores, 63,1% afirmaram ter alterações vocais. Entre os não professores, 35,1% afirmaram a mesma coisa.

Os principais problemas relatados são: cansaço vocal (92%), desconforto para falar (90,4%), esforço para falar (89,2%), garganta seca (83,4%), rouquidão (82,2%), dificuldade para projetar a voz (82,8%), instabilidade ou tremor na voz (79,3%), dor na garganta (72,7%).

“Os professores lecionam em condições desfavoráveis para o uso da voz: competem com ruídos externos à sala de aula ou mesmo internos, trabalham com número alto de alunos, quase nunca usam o microfone e, eventualmente, lecionam dois ou três períodos, o que faz com que falem muito durante o dia”, destaca texto do projeto de lei.

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