Mudanças climáticas: do IPCC ao Museu do Amanhã

Por Davi Bonela
Coordenador de Desenvolvimento Científico do Museu do Amanhã.
Por Felipe Floriano
Analista de Desenvolvimento Científico do Museu do Amanhã.


É indiscutível que as atividades humanas estão causando mudanças no clima, tornando eventos climáticos extremos – como ondas de calor, secas e chuvas fortes – mais frequentes e severas”. A afirmação é do IPCC, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, que divulgou o relatório de um dos seus grupos de trabalho no mês de agosto. Tendo a participação de 234 cientistas de 66 países, além da contribuição de mais de 500 especialistas, o estudo não deixa dúvidas: a emissão contínua de gases do efeito estufa ao longo dos últimos séculos provocada pela ação humana trouxe consequências irreversíveis para o planeta nos próximos séculos, como, por exemplo, o aumento da temperatura e do nível dos oceanos, além da sua acidificação e desoxigenação. Para se ter uma ideia, desde 1850 já foram emitidos 2.390 bilhões de toneladas apenas de CO2 para atmosfera. E caso as emissões desses gases não sejam reduzidas imediatamente, as consequências vão se agravar. A mensagem do IPCC é clara: as mudanças climáticas não vão acontecer, elas já estão acontecendo. São um desafio global do presente e do futuro.

Enquanto um museu de ciências que aborda as oportunidades e os desafios que a humanidade terá de enfrentar nas próximas décadas, o Museu do Amanhã utilizou o novo relatório do IPCC para realizar mais de 40 atualizações em sua exposição de longa duração. Com isso, o trabalho de pesquisa, que faz parte das ações do Observatório do Amanhã, patrocinado pela Shell, leva aos seus visitantes o conhecimento mais atual sobre as mudanças climáticas hoje e o que está sendo deixado como legado para as próximas décadas.
 

Exposição ganha um percurso sobre o clima

As atualizações foram realizadas em três das cinco áreas da exposição de longa duração – Terra, Antropoceno e Amanhãs. Em Terra, essas atualizações ocorreram no Cubo da Matéria por meio de novas informações sobre a diferença entre clima e temperatura e o papel dos gases de efeito estufa no aumento da temperatura do planeta. Já em Antropoceno, as atualizações se encontram no interativo Impacto global, trazendo dados do novo relatório do IPCC sobre as mudanças em curso no clima, assim como as consequências para a vida do planeta, como, por exemplo, que é provável que o Ártico esteja praticamente sem gelo marinho no verão, pelo menos uma vez antes de 2050.

Por último, em Amanhãs, na área Planeta, são apresentados aos visitantes os novos cenários de aumento da temperatura média global informados pelo IPCC, assim como  dados alarmantes para as próximas décadas. Por exemplo, nos cinco cenários apresentados, a meta mais ambiciosa do Acordo de Paris — limitar o aquecimento a 1,5°C —, é ultrapassada no começo da próxima década, dez anos antes do previsto. 

Com isso, os visitantes podem trilhar um percurso de aprendizado sobre o clima e os impactos do modelo de desenvolvimento atual. “Todas essas atualizações traduzem o esforço do Museu do Amanhã de oferecer aos nossos visitantes informações científicas para a compreensão dos principais desafios globais em curso e os seus desdobramentos para o futuro”, afirma Leonardo Menezes, diretor de Conhecimento e Criação do Museu do Amanhã. “Nesta atualização sobre as mudanças climáticas tivemos a contribuição de Paulo Artaxo, integrante do Comitê Científico e de Saberes do museu, que apresentou os principais dados do relatório para nossa equipe”, explica o diretor. 
 

Tecnologia permite atualizações diárias e semanais na exposição

O museu faz uso contínuo da ciência, da tecnologia e da inovação para manter sua exposição de longa duração atualizada, realizando, desde a sua inauguração, em 2015, mais de 800 atualizações no conteúdo desta exposição. Essas atualizações são realizadas por meio do sistema Cérebro, um software que armazena os dados e as experiências levadas aos visitantes da exposição de longa duração do Museu.

As atualizações são feitas de duas formas. Uma é por meio da conexão do Museu do Amanhã com instituições parceiras em todo o mundo, como o Worldometers. Essa plataforma fornece dados de fontes confiáveis em tempo real, possibilitando a atualização diária das informações do filme exibido na principal experiência de Antropoceno, que apresenta o impacto da produção e do consumo em escala global sobre o planeta. Outra atualização frequente na exposição ocorre todas as semanas no Cubo da Matéria, uma das três experiências que compõem a área Terra, com a renovação de imagens de satélites da Nasa.  

A atualização da exposição de longa duração também tem um trabalho contínuo de pesquisa do Museu do Amanhã a partir de novos dados reportados por organizações nacionais e internacionais. Essas pesquisas buscam a atualização de progressos científicos significativos, como a descoberta de exoplanetas, ou seja, de planetas fora do Sistema Solar, e também por dados sobre o meio ambiente, como a lista de espécies ameaçadas de extinção divulgada pela União Internacional para a Conservação da Natureza ou o desmatamento na Amazônia divulgado pelo INPE, e a sociedade, como nos conjuntos de dados demográficos divulgados anualmente pelo Fundo de População das Nações Unidas. As diferentes agências das Nações Unidas são uma das principais fontes de atualização sobre o presente e os cenários de futuro apresentados nesta exposição. 

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