Kbela em agosto

Com informações dos sites Observatório das Favelas e Vice

A estreia está programada para agosto próximo. Vem aí Kbeka, filme de Yasmin Thayná, estudante de comunicação de 22 anos. Gravado em dois dias num castelo de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, o filme conta a história do cotidiano das mulheres negras, dos processos embranquecedores em que elas são colocadas durante a vida. “O cabelo crespo é um cabelo político porque ele é rejeitado o tempo todo”, conta a diretora. Feito a partir de um financiamento coletivo que arrecadou módicos 5 mil reais, o curta-metragem conta com mulheres negras na frente e atrás das câmeras para levar ao cinema conteúdo crítico e político, além de representatividade. O filme surge do conto Mc K-bela, feito pela própria Yasmin, retratando suas dores durante a infância e adolescência – períodos nos quais o processo de aceitação e entendimento da negritude é latente.

Quando começou

Em 2013 o conto Mc K-bela foi adaptado para o teatro pelo diretor Anderson Barnabé e estrelado pela atriz Veruska Delfino no Home Theatre – Festival Internacional de Cenas em Casa. No mesmo ano o projeto do filme foi iniciado, quando jovens da Revista Cranta lançaram no Facebook uma chamada para atrizes e não atrizes negras que vivem/viveram histórias de transição capilar. Em dois dias de divulgação da chamada foram mais de 100 emails recebidos. Depois da seleção das atrizes, o grupo filmou a primeira versão do KBELA na antiga fábrica da Bhering, na Zona Portuária do Rio. Filme pronto para edição, Yasmin foi assaltada com todo o material já filmado que estava em seu computador que foi levado dentro da sua mochila.

A partir daí, re-filmar o KBELA virou mais do que um objetivo, se tornou um ato de resistência. Diversas mudanças aconteceram nesse meio tempo e o filme foi ganhando dimensões cada vez maiores, alcançando mais e mais pessoas que abraçaram a proposta. “O projeto amadureceu de uma maneira muito forte. Era outro filme, a gente não tinha direção de arte, figurino, maquiagem. Era uma galera a fim de fazer um vídeo que falasse das questões da mulher negra. De lá para cá, amadureci o roteiro e a minha proposta de direção. Foi fundamental ter realizado diversos ensaios antes de gravar pra valer. E a cada encontro o KBELA ia ficando maior, e fica maior a cada dia que passa, e ele ainda nem estreou. Espero que ele tenha um tamanho infinito e quem fará isso são as pessoas que se identificaram e usarem o trabalho para desconstruir os conceitos que nos oprimem”, explica Yasmin Thayná.

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