Direito de permanecer calado

Artigo de estudante fala sobre a autocensura das críticas e opiniões.

Por Júlia Gabriele Araújo da Costa
Ex-aluna do curso Roteiro para Mídias Digitais (Nave)

Penso que, atualmente, cresce cada vez mais uma (auto)limitação sobre as opiniões e críticas que queremos/podemos expor através de um jornal, redes sociais e outras mídias. Mesmo com o direito de manifestar livremente nossos pensamentos, o que eu, você e todos escrevem/falam pode ter uma consequência não positiva em nosso local de trabalho, em nossa família, na escola ou na conquista de um emprego. Do jeito que as coisas andam, dificilmente conseguiríamos, por exemplo, um cargo público ou uma vaga numa empresa particular após fazer críticas políticas.

Acredito que as críticas deveriam servir para a construção de melhores ações, atitudes e encaminhamentos. Mas elas não são vistas desta forma. Quase sempre o autor das críticas é julgado – e muitas vezes condenado – quando não coloca a sua opinião de acordo com o desejado, tanto pelas empresas quanto pela maioria dos cidadãos. Nos dias de hoje, a imagem transmitida é mais importante do que o serviço prestado.

Neste sentido, venho observando que o jornalismo está cada vez mais limitado a reportar acontecimentos do dia a dia, muitas vezes, sem importância social, focando muitas vezes em celebridades e novelas. Partindo do princípio de que o jornalista tem compromisso com a informação e que desempenha de certa forma um papel de formação de opinião pública, o contexto deixa a desejar. A população está cada vez mais alienada pelas diversas mídias, muitas vezes controladas por pessoas do próprio poder público, o que gera uma sociedade sem grande conhecimento e com opiniões rasas. Uma sociedade tão limitada não tem muito para onde correr. Retratos fantasiosos do nosso dia a dia e reality shows ditam o ritmo do país.

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