MMA: luta esportiva ou barbárie?

Professor Antônio Holanda responde à pergunta em artigo enviado para revistapontocom.

Por Antônio Manoel Lima de Holanda
Professor do Ginásio Experimental Olímpico – Escola Municipal Juan Antônio Samaranch
Rede Municipal do Rio de Janeiro
Mestrando em Educação (UFRJ)

Falar que o MMA é um esporte violento esbarra em equívocos de interpretação, relacionados a preconceitos contra as lutas esportivas. Na verdade, o boxe, o muay thay, o karate, o jiu jitsu, e muitas outras lutas esportivas, já foram confrontadas por essas insinuações e tiveram que provar o seu valor na formação global do indivíduo. Não está sendo diferente com o MMA, que passa por um processo evolutivo, onde fundamenta sua filosofia em princípios modernos de ética e cidadania (muitas tiradas das artes milenares que lhe dão origem) e estabelece regras, aparatos médicos, equipamentos de proteção e treinamentos científicos que cada vez mais validam sua configuração definitiva como luta esportiva.

O problema é que tem muita gente falando sobre um assunto que não é de sua alçada. Quem define o que é esporte? Quem define o que é violento? Quem compara lutadores de MMA com os gladiadores do Coliseu? A verdade é a seguinte: lutadores de MMA são atletas pagos – alguns muito bem pagos – após rigorosos treinamentos atléticos e de ética, exercidos de forma espontânea, bem diferentes dos escravos de Roma antiga.

A luta esportiva está relacionada ao desenvolvimento máximo de um atleta para uma situação real de luta. Homens de diversas civilizações, ao longo do tempo, desenvolveram lutas milenares e culturais, como o jiu jitsu, muay thay, judô, karate, boxe, luta livre, savate e muitas outras. Para os amantes da luta esportiva, essas lutas não são violentas e, muito pelo contrário, auxiliam na formação moral e física de seus praticantes. É fato: grandes faixas pretas das artes marciais são grandes exemplos de cidadania e ética em seus contextos sociais. Campeonatos destas artes marciais estão longe de ser palco de barbárie. Na verdade, são locais de superação humana, de respeito às regras, de estética agonista (a arte do confronto), de pesquisa nas áreas de treinamento, fisiologia, condicionamento físico e gerência e administração esportiva.

Um dos grandes clamores da modernidade é o respeito à diversidade e ao multiculturalismo. Não se pode exigir de uma borboleta que compreenda o comportamento do tigre. Mas ambos podem viver em harmonia se buscarem o respeito mútuo.

O MMA é o esporte que atingiu o último nível de excelência no agonismo corporal por se valer da luta de chão, da luta em pé e de suas transições. Atingiu o mais elevado patamar do confronto autorizado. Falo de confronto autorizado, pois ao contrário do que afirmam os “menestréis do apocalipse”, MMA não é violência e pancadaria. É luta esportiva no seu mais avançado grau de perfeição, pois, conforme disse anteriormente, exige de seus praticantes, a totalidade de preparação para um confronto real.

Por que se trata de uma luta esportiva e não de uma barbárie? Porque possui regras internacionais. É realizada com equipamentos de proteção atlética, assistência médica de plantão. Possuem rigorosas leis em suas práticas mundiais. Os praticantes são atletas de altíssimo nível. São profissionais remunerados. Praticam o esporte por sua livre e espontânea vontade e há um código de moral e conduta, muito bem formulado, estabelecido pela Comissão Atlética de Nevada, que estipula o comportamento ético e cidadão do esportista de MMA.

Pode-se dizer que o MMA atingiu seu ápice como luta esportiva? Não. Ao longo do tempo, todas as lutas esportivas passam por uma grande evolução em suas regras, fundamentos e filosofia. Com o MMA não é diferente. As primeiras lutas eram chamadas de vale tudo e era quase isso mesmo. Hoje me dia, a realidade é outra. Ninguém é obrigado a gostar de MMA, mas, por favor, deixem que os fãs e os adeptos usufruam deste esporte.

Para terminar: violência significa ação de causar danos físicos ou psicológicos a uma pessoa, sem sua autorização. No confronto autorizado, ambas as partes estão cientes do que se pode e não pode fazer. Há regras! O MMA é uma realidade. É a mais completa arte marcial da contemporaneidade. E vem deixando bem claro, por meio de seus principais atletas brasileiros, que é um portal para jovens de comunidades vulneráveis criarem um projeto saudável, promissor e ético de vida. Em tempo: nossos atletas de MMA são os melhores do mundo. Exemplos notórios em todo planeta de superação, humildade e cordialidade.

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