O rio do Rio: a origem de um sonho planetapontocom

Por Marcus Tavares

Hoje quando o programa alcança novos voos e encontra mais apoio e interesse de municípios preocupados com a questão hídrica, o planetapontocom comemora e chega à conclusão de que os sonhos, sim, podem se tornar reais. Em 2014, Silvana Gontijo, incomodada com o desconhecimento e descaso sobre a importância do rio Carioca, decidiu agir unindo escolas, sociedade civil e poder público. Assim surgia o movimento Carioca O rio do Rio.

Com o objetivo de resgatar não apenas a memória de um rio, desconhecido de muitos, mas também a sua recuperação hídrica, Silvana contactou professores e estudantes de 27 escolas situadas na bacia do Rio. De porta em porta, ela, com a equipe do planetapontocom, motivou as unidades a aprender e ensinar através de ‘aulas vivas’ e de uma única causa: salvar o rio Carioca.

Se foi difícil? Imagina. Deu um trabalho enorme de convencimento e de planejar e executar estratégias pedagógicas que envolvessem estudantes e seus professores e assegurassem a mediação de conhecimentos e valores.

As escolas envolvidas, da rede pública e privada, tiveram a oportunidade de participar de um projeto pioneiro e que, a exemplo de outras propostas, mostrava o valor de dar significado aos conteúdos das diferentes áreas de conhecimento, reiterando o trabalho coletivo e interdisciplinar.

Os estudantes e seus professores resgataram lendas indígenas, conheceram monumentos, compreenderam o valor do patrimônio urbanístico, histórico, cultural e ambiental da cidade. E também se depararam com problemas das grandes metrópoles: falta de limpeza urbana, lançamento de esgoto clandestino, bem como drenagem deficiente de águas poluídas.

Como dito 27 escolas se envolveram, reunindo 570 professores e mais de 50 mil estudantes impactados. Aulas ‘vivas’ de redescoberta do rio Carioca foram realizadas. Mapeamento do território e monitoramento da qualidade das águas também aconteceram, bem como formação e capacitação de professores na metodologia Educação com e através de causas. O planetapontocom também criou e disponibilizou conteúdos. A riqueza de projetos desenvolvidos nas unidades escolares foi surpreendente.

“A participação de todos foi essencial para que o sonho se tornasse realidade. Fizemos vários encontros, reunindo a comunidade, sociedade civil, artistas, especialistas e a imprensa. Juntos conquistamos”, destaca Silvana Gontijo, presidente do planetapontocom.



“Pessoalmente participei de muitas atividades como algumas feiras de ciência, exposições de arte, mostras de trabalhos de crianças e jovens usando uma variedade de formas de expressão: música, poesia, teatro, desenho, vídeo, texto. Nessa fase, vimos que para avançar das ideias e informações para uma ação transformadora e concreta precisávamos integrar outras forças ao nosso grupo original. Convidamos para encontros os representantes das associações de moradores de todos os bairros da mesma bacia. Todas se juntaram a nós. Depois levantamos o que chamamos os ‘apaixonados pelo Carioca’ escritores, historiadores, fotógrafos, músicos, cineastas, artistas plásticos, designers, atores, acrobatas e o principal, os técnicos: sanitaristas, biólogos, hidrologistas, urbanistas, engenheiros florestais, urbanistas, engenheiros civis, economistas, comunicadores, especialistas em patrimônio histórico e cultural e ecologistas de diferentes áreas”, recorda Gontijo.

Na sequência, a imprensa também foi convidada a conhecer o projeto. E foi aí que o movimento ganhou visibilidade e força. Nas escolas, conhecimento, conscientização, aprendizagem e cidadania. Na cidade, engajamento, mobilização, reivindicação e política pública.

“Mapeamos e reunimos em um acervo próprio documentos, teses, artigos, mapas, fotos, vídeos e podcasts sobre a história e o monitoramento socioambiental da bacia. Conseguimos a canalização dos esgotos da parte visível do rio, fizemos três mutirões de limpeza dos resíduos sólidos, levantamos as condições do patrimônio histórico e cultural e, em parte graças ao nosso trabalho, o reservatório da Mãe D’água foi restaurado. Empreendemos inúmeras ações de educação ambiental e conseguimos o tombamento do rio Carioca, o primeiro do Brasil, como patrimônio histórico e cultural, em parceria com o INEPAC”, complementa Gontijo.

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